segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"SI para SI"

Com base na linha freudiana a metáfora paterna, o Nome do Pai (que dá consistência) vem da estruturação fálica da realidade. Falo e pênis não é a mesma coisa. Falo é o poder gerador, a representação de completude, o não sentimento da falta, é o representante significante (atos falhos, cistes, apelos, sonhos) do indivíduo na mulher e no homem. Significante que exige do ser humano a reprodução sistemática do imaginário.

Temos o imaginário, um sujeito, uma relação do sujeito com o imaginário. O sujeito se vê diante do espelho como uma falta, pois há uma distorção da alto imagem criando, então,  uma linguagem diante das metáforas de se ver. Ele estabelece as metáforas daquilo que está observando como fragmento e na construção metafórica ele busca cobrir a falta do seu significado sendo que a perspectiva de gozo (intensidade de energia que cujo limite ainda não se instaurou) é que o remete ao imaginário porque aquilo que se diz não é igual ao que se quer dizer (o dizer pertence ao inconsciente), uma vez que o que foi dito é aquilo que pertence ao imaginário.

Ex. Mulher viveu seus primeiros 15 anos numa casa que não tinha nada e estava sendo construída pouco a pouco. Os pais sempre decidindo, quando tinham um dinheiro sobrando, qual o piso, qual a janela, etc. Essa mulher descrevia a casa como com cheiro de cinza. Ela se forma arquiteta e se casa com um engenheiro.  Ela tem uma motivação em construir casas do desejo dos pais e as desenha para terminar a casa onde morava, para que então, os pais lhes dê atenção.

Com a personalidade fragmentada ela não consegue terminar os desenhos das casas se mudando várias vezes. Ela precisaria terminar a casa e morar lá o que constituiria uma estrutura psíquica não fragmentada. Ela reclama que as pessoas dependem muito dela, sua função psicológica principal é a intuição (está sempre à frente). O marido tem como função psicológica principal a sensação (que executa as tarefas) e pede para que ela defina. Há uma reflexão do “si para si”. E não sendo mais arquiteta significaria resolver o “si para si”. (“Si” e “para si” são a mesma pessoa).

O que você quer saber se não quer saber nada disso?
Quer saber o dizer e não o que foi dito, pois o objetivo é o imaginário.

Durante 15 anos essa mulher ouviu os pais decidindo que peças iriam colocar na construção da casa e assim ela não entendia receber o olhar deles. O marido, segundo ela, é lento e assim aumenta a sua angústia do que falta. Quando fala mal do outro é porque falta uma atitude desse outro que lhe faria feliz. É ela que não quer que as casas terminem e  acha que é o marido que quer.

Lacan introduz a noção de desejo para afirmar que o desejo do homem é o desejo do outro; ou seja, é o desejo de se fazer reconhecer no desejo do outro. A constituição primordial de cada desejo, efetivada pela mediação de uma imagem exterior, impõe de uma só vez a alteridade e a alienação no próprio núcleo deste desejo. 

Em função da alteridade e alienação, Lacan caracteriza o conhecimento humano como conhecimento paranóico, sempre acompanhado por certa agressividade. O reconhecimento da imagem especular de si é necessariamente desconhecimento, pois se trata de uma imagem exterior, alienante, que ademais permanece necessária para a constituição estável de si. 

Atendimentos na Zona Sul e Zona Norte

e-mail: beth.psicanalista@yahoo.com.br

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