quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

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Ih! Coitadinha!!!! Será que ela aprendeu a lição?
É... só aceitando é que acontece algo...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

QUAL O CAMINHO?

O Mestre pressente as raízes da mais profunda nostalgia, a de Fausto, quando pergunta: Qual o caminho? Ao que responde através de Mefistófeles.

Nenhum caminho! É o não trilhado,
O não trilhável! Um rumo ao não rogado,
Não razoável. Estás disposto?
Trincos nem cadeados há, a serem removidos,
Por solidões serás a esmo impelido:
Tens tu noção de ermo e solidão?...

E se o oceano a nado transpusesses, vendo ali a ilimitada vastidão,
Verias ainda que onda após onda segue,
Mesmo com o pavor da morte a te espreitar.
Algo verias! Talvez no imenso verde
De mares acalmados, a dança de delfins;
Verias o passar das nuvens, o Sol, a Lua e as estrelas
Nada verás no eterno e longínquo vácuo,
Não ouvirás o som de teu próprio passo,
Não sentirás firmeza em teus pés.

Toma esta chave aqui.

A chave há de farejar o lugar certo.
Segue-a até embaixo: às mães vai te levar.

Submerge pois! Eu poderia dizer: sobe!
Tanto faz. Foge do que já teve origem,
Nos reinos soltos das criações!
Encanta-te com o que há muito não existe!
Névoas ali volteiam incessantes,
Agita a chave, mantém-nas distantes...

Dir-te-á uma trípode ardente,
Que ao fundo dos fundos chegaste finalmente.
Às mães verás em seu clarão:
Umas sentadas, outras vêm e vão,

Ao bel-prazer. Formação, transformação,
Do eterno espírito, eterna ocupação.
Envoltas por visões de infinitas criaturas,
Elas não te vêem, vêem apenas esquemáticas figuras.
Coragem então, o perigo é iminente,
Vai à trípode diretamente,
E com a chave a toca!

Carl Gustav Jung em Símbolos da Transformação, páginas. 191 e 192.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PASSADO-> PRESENTE <-FUTURO

Em entrevista, concedida à Revista Continuum Itaú Cultural por telefone pelo psiquiatra, psicanalista e professor universitário, o francês Serge Tisseron, traz um pouco da visão do pensador sobre o tema: “A fotografia é uma forma de realidade mista, ou poderíamos chamar de realidade hibrida. Ela está ao mesmo tempo ao lado da realidade objetiva e da subjetiva do criador ou do espectador”.

- Qual a importância da memória, já que ela muitas vezes não corresponde fielmente aos fatos?
- O objetivo da memória é nos ajudar a viver o presente, não nos projetar ao passado. Porque, se nos projetássemos ao passado, não poderíamos mais enfrentar o hoje. Ela não tem a função de nos fazer lembrar, mas, sim, de nos fazer esquecer tudo o que não é útil ao momento atual. Se por acaso não me recordo de algo, eu o fabrico e penso que estou lembrando. Eventualmente, a memória ajuda a reconstruir lembranças que não existiram, de maniera que se possa viver bem a atualidade.

- Até que ponto a ficção é necessária ao entendimento da realidade?
- A ficção opera de forma contrária à da memória. Ela nos faz antecipar o futuro, para também podermos enfrentar o presente. A principal dificuldade do ser humano é conseguir encarar seu presente constantemente. Porque ele é angustiante, complicado, nos faltam referenciais... Então, ocasionalmente, inventamos referenciais por meio de falsas lembranças e projeções no futuro. O papel da ficção é nos fazer antecipar o que está por vir, mas de maneira que se permita enfrentar o agora. Vê-se isso na adolescência, uma vez que os jovens adoram ficção científica, filmes da série Guerra nas Estrelas, videogames. É sua maneira de compreender o presente como um devir. A ficção é a projeção de um futuro sonhado, temido. É preciso compreendê-la não como um mundo paralelo, mas como um mundo que provavelmente antecipa o que virá.

Tisseron aborda estes temas com um pensamento redutivista o que ele mesmo afirma em sua entrevista quando diz não acreditar no inconsciente e sim num mistério. Ele me parece deixar por conta de algo que não possa ser entendido. No que entendo a respeito desses temas é que tanto ir para o passado quanto para o futuro, as fantasias correm soltas como lembranças de desejos não atendidos e esperanças por realizações de novos desejos. É mais prazeroso fantasiar (produto do inconsciente), não exige do inidvíduo nenhuma manifestação objetiva. Já o presente que se traduz em realidade, aquilo que chamamos de “aqui agora” nos cansa, causa-nos fadiga porque por mais concreto que possa parecer é preciso uma disponibilidade para não deixar que as tais fantasias tomem conta para poder proporcionar saídas mais objetivas frente às situações e então realizar algo de fato.

Indagada por um indivíduo sobre a dificuldade de encontrar um objetivo genuíno cheguei a concluir que esse indivíduo, assim como a maioria, tem objetivos equivocados que por conta de suas fantasias entram num labirinto e não conseguem sair até que algo se ilumine e ele se decida a encarar o presente.

domingo, 8 de novembro de 2009

CONTE SEU SEGREDO

As minhas experiências como pessoa e analista junguiana me fizeram perceber que as pessoas ficam presas pelo sentimento de “minha culpa”. Trata-se de segredos guardados e muito bem guardados que julgamos erroneamente serem de tal modo incompatíveis com a opinião pública que se revelados poderiam causar um “você não vale a pena”, “você é um ou uma...”.

De certo para alguns a revelação de um segredo viria de encontro a uma mudança significativa no modo de olhar àquele que o revela. Pessoas mais conscientes olhariam para essa revelação com olhos de compaixão, com naturalidade, o que poderia ajudar a encontrar uma saída para o tal problema. Na maioria das vezes o segredo guardado não passa de uma pequena falha que tomou, através da fantasia, um enorme vulto que o portador dele se fecha, resultando disso outras dificuldades cuja explicação, conscientização está no fato de deixar de ser egoísta e revelar seu segredo. Sim, egoísta. Generosidade se daria, em primeiro lugar, consigo mesmo na busca de solução para sua inquietação.
É como o som incessante de uma gota que sai de uma torneira e vai se tornando cada vez mais barulhenta. A quantidade pode ser a mesma, mas, para nós vai ganhando intensidade. Talvez a solução aqui seja simplesmente trocar a borrachinha que veda a passagem dessa água quando ela estiver fechada. Será que o seu segredo é uma gota de água????

As pessoas dizem: Ah! Se eu contar vou prejudicar alguém. Bem, pode até ser, mas, será que prejudicar é a palavra mais adequada? Talvez neste contexto possa ser o medo de perder o olhar de uma admiração falsa que recebe. O revelar colhe aproximações como separações. As aproximações de pessoas que nutrem um sentimento amoroso para com o outro e separações para aqueles que já não faziam parte de nossas vidas, mas, que egoisticamente, as mantemos junto, sem lhes dar a oportunidade de lutar com seus próprios fantasmas.

ENTÃO, QUE TAL VOCÊ EXPERIMENTAR CONTAR O SEU SEGREDO?????

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PERTENCER

Segundo o dicionário, PERTENCER significa fazer parte de, combinar, adequar-se, relacionar-se, afinar, ajustar, casar, harmonizar. Palavras, expressões frias se não sentidas. O pensar sem antes transitar por uma reflexão através de espelhamento é de fácil conceito e é só um amontoado de conjurações.

Nomear uma emoção é dar a ela o direito de se pronunciar, de se esclarecer quando for o momento. Se pararmos para relembrar certos momentos de nossas vidas poderemos reconhecer o quanto sentimos PERTENCER. Pode ter acontecido na família quando um filho traz todo feliz ou triste seu boletim, quando o marido ou a esposa diz que foi bom algo que aconteceu ou que não foi, na escola quando o professor devolve com um olhar amoroso para uma colocação; no profissional quando recebeu um “muito bom” ou “você pode melhorar”; na rua quando alguém fêz um comentário, etc.

Há algum tempo atrás senti esse PERTENCER e o pronunciei num estado de surpresa. Palavra com emoção. De lá para cá sentimentos precisaram vir à tona para que eu pudesse começar a compreender a sua magnitude. A luta para existir não precisava mais ser travada porque havia reconhecido que eu PERTENCIA em muitos corações. Alguns corações tomaram outros rumos, nos distanciando no espaço, mas permanecendo juntos cada vez que as lembranças se tornam presentes. Assim como eu os sinto vivos creio que o mesmo acontece com eles.

As pessoas precisam trilhar um caminho, nem sempre muito agradável, para poder chegar ao que sua alma quer. Sua função aqui. PERTENCER me levou a questionar o AMOR. AMOR, no meu entender é dar aquilo que tenho de melhor, com prazer, com paixão, de aprender e devolver, de transformar o que estiver ao meu alcance, é deixar ir, é respeitar o silêncio, é acreditar que todos temos força e que cada um está no seu momento.

O estado de PERTENCER assim como o de AMOR é PAZ, é FÉ.

Ao subir “degrau por degrau” vou me disponibilizando para recepcionar novos entendimentos e cresço como ser humano permitindo que minha alma se revele.

Elizabeth Sartori

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ISSO É QUE É DECIDIR...

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...
...a me sentir valorizado(a), mesmo quando os outros não reconhecerem o meu valor;
...a dar uma oportunidade para o amor, mesmo quando meu coração insistir em manter as portas fechadas;
...a sentir prazer, mesmo quando a culpa e o medo tentarem roubá-lo de mim;
...a confiar nas minhas capacidades, mesmo tendo me acostumado a menosprezá-las;
...a superar minhas limitações, mesmo tendo desistido de enfrentá-las;
...à felicidade;
...às grandes oportunidades;

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...
...a acreditar no melhor da vida, mesmo estando acostumado(a) a acreditar que isso não passa de utopia;
...a dar o meu melhor sorriso, mesmo que talvez eu não receba outro de volta;
...a vestir a roupa mais bonita, mesmo quando eu me sentir feio(a) e caído(a);
...a expressar palavras de alegria,mesmo quando eu me sentir triste e desiludido(a);
...a ser corajoso(a), verdadeiro(a) e generoso(a), mesmo não recebendo nada em troca;
...a oferecer o melhor de mim todos os dias, com a certeza de receber o melhor da vida; pois não há dádiva maior do que conhecer o melhor que está em mim.

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...
...a aceitar os anseios de minha alma;
...a sentir os desejos que pulsam em meu coração;
...a conhecer minhas emoções mais profundas;
...a despertar meus talentos e potencialidades;
...a trabalhar para realizar meus verdadeiros sonhos;
...a me libertar para encontrar meu caminho;
...a valorizar o que tenho e o que sou;
...a ter coragem de reconhecer o que é importante para a minha vida;
...a ser vitorioso(a)na minha vida pessoal e profissional;
...a não me comparar nem me desvalorizar;
Porque onde estou e como estou é a porta de entrada para a realização da minha história. Uma história única e fascinante na qual a autenticidade é minha maior diretriz.

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...
...a viver o meu presente;
...a viver o meu melhor;
...porque estou no lugar certo com as pessoas certas e na hora certa;

POR ISSO ESCOLHO:
-a coragem, em vez do medo:
-a fé, em vez da dúvida;
-o amor, em vez da mágoa;
-a luz, em vez da escuridão;
-escolho fazer da confiança a minha bússola,bússola que me guia para atravessar mares e abrir novos caminhos;
-a partir de hoje confio que o melhor infalivelmente acontece, e muitas vezes o melhor não é o que espero,mas aquilo de que preciso para trilhar meu verdadeiro caminho.

Enviado pelos amigos Fátima Corga e Carlos Anibal, do Instituto Luz

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A palavra entusiasmo é de origem grega e significa “ter um deus dentro de si”. É um arrebatamento, um encantamento pelos feitos de um deus que nos leva a ter vontade de realizar algo, cujo resultado nos é dado por uma fantasia criadora. Os gregos eram politeístas e tinham deuses para a multiplicidade dos sentimentos. As pessoas, segundo os gregos, quando imbuídas desse entusiasmo eram capazes de vencer os desafios, criar uma realidade ou modificá-la. Elas acreditavam em si e agiam na busca de seus objetivos. O vídeo abaixo retrata o herói que aceitando sua fantasia, vive o spiritus phantasticus, embora a expresse metafisicamente em vez de psicologicamente. Jung diz: “O espírito pode reivindicar legitimamente o “patrias potestas” (pátrio poder) sobre a alma;...” e “Quando o primitivo ‘pensa’, ele tem, literalmente, visões, cuja realidade é tão grande que ele confunde, freqüentes vezes, o psíquico com o real.” No vídeo fica claro o espírito (representado pelo simbolismo do vento), o entusiasmo (pela sua caminhada), bem como o aspecto sombrio do espírito (pelo resultado da abertura do pote) e finalmente o objetivo, mas pensemos sobre o objetivo: O que de fato esse menino queria fazer? Uma manifestação de poder? Durante o trajeto ele respeitou a si mesmo e às pessoas? Ele foi egoísta? Ele foi tenaz? Foi uma manifestação de amor? Mas e no caminho, ele aprendeu algo? Ou só o resultado final era importante? ENTUSIASMO É ACREDITAR QUE É POSSÍVEL FAZER DAR CERTO, PORÉM, RECEPCIONAR AS EXPERIÊNCIAS QUE O CAMINHO OFERECE É PERMITIR QUE A ALMA FAÇA UMA PONTE ENTRE O SONHO E A CONCRETIZAÇÃO.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

TODO DIA É DIA DA CRIANÇA

Num playground de um conjunto de apartamentos crianças brincam de jogar areia umas nas outras. O zelador vai ao encontro delas e irritadamente lhes diz que elas NÃO devem brincar assim. Ameaça dizendo a um garotinho que se ele não parar, ele, o zelador irá contar para os pais. O garotinho encolhe os ombros e numa atitude irreverente diz: Pode contar! Não ligo.

Vejo no trânsito pessoas brincando de jogar papéis pela janela de seus veículos. Uma vez, a um bom tempo atráz, aconteceu comigo. Estava levando uma pessoa e ela simplesmente baixou o vidro e atirou a embalagem para fora do carro. Eu lhe disse: NÃO faça isso. E ela me respondeu: Todo mundo faz.

No noticário vemos pessoas indignadas com a devastassão do planeta, camada de ozônio, matança de animais e assim por diante. Estas pessoas se cansam de colocar na mídia o que NÃO deve ser feito para que a nossa casa não se desabe.

Se pensarmos bem, podemos ir além desses casos e questionar nossas atitudes em diversas áreas de nossa vida, nas pequenas atitudes e nas que requeiram mais atenção ou outras, como p.ex.: relacionamentos entre pais e filhos, entre homem e mulher, entre o homem e a natureza, entre o homem e sua carreira...Existe aqui não só uma ignorância no trato com essa criança como também, é claramente visível a falta de conscientização de ambos, daquele que brinca e daquele que diz não.

Na medida que crescemos sob todos os aspéctos, temos a possibilidade de nos conscientizarmos dos por quês. Creio que só se adquire um respeito pela criança, pelo passageiro, pelo planeta... quando entendemos a importância da conscientização, o que gera em nós, um olhar de compreensão e a possibilidade de encontrarmos um meio melhor para ensinar à essas “crianças pequenas e grandes” que brincar faz bem, que enquanto brincamos podemos olhar para nós mesmos e perceber nossas emoções, nossos desejos, nossas fantasias e então escolher o que é melhor para todos.

Podemos ser mestres para os nossos discípulos e quando eles se tornarem mestres aí sim, podemos ser chamados de MESTRES.

sábado, 10 de outubro de 2009

Dois gênios da pintura



Dois opostos, que nos encantam, que nos remetem a mundos claramente diferenciados. Dois gênios da pintura são Canalleto, pintor paisagista e Iman Maleki, pinturas mais que fotografias.
Vendo essas obras viajei junto com os pincéis desses gênios.

Nas pinturas de Canalleto, ricas em detalhes, a vida é uma festa, parece que tudo está em movimento, existe alegria, conversas tolas e enigmáticas. Entre valorização da cultura e do social, desfilam homens e mulheres com interesses em comum para transformar em concreto, através da sedução e da conquista os seus sonhos e ideais de sua época e espaço.

Já nas pinturas de Iman Maleki, com seus traços delicados porém firmes e nítidos, expressam a vida na introspecção, Retrata o dia a dia das pessoas nas situações mais simples com uma certa dose de isolamento e sofrimento. Para mim, a busca da sabedoria é o elemento em destaque nestas obras. Há profundidade nas expressões de seus rostos e em seus olhos distantes. O social parece não contar nelas e sim a individualidade.

D I V I N O é o que posso dizer desse conjunto.

domingo, 4 de outubro de 2009

SOMOS TODOS ARTISTAS, MAS SERÁ QUE SABEMOS DISSO?

Ao longo de nossas vidas, equivocados, pensamos estar atuando no meio como pessoas que sabem o que estão fazendo. Durante uma boa parte caminhamos nos relacionando com pessoas em todas as áreas e acreditamos estar fazendo o que é certo. Começamos logo cedo, vamos brincar com nossos amiguinhos, depois entramos para a escola, para a faculdade, fazendo um curso e outro, vamos ao mercado de trabalho e nos sujeitamos a qualquer atividade profissional, encontramos uma pessoa para compartilhar nossas necessidades de estar com alguém que nos veja , mas ao mesmo tempo nos colocamos como sabedores do que estamos fazendo, chegamos ao casamento, temos filhos e tudo isso acontece dentro de uma panela de pressão. É, ficamos lá cozendo, se sujeitando à pressão do calor dos nossos desejos não atendidos. Mas chega uma hora, que essa água precisa sair e então o bico da panela começa a assoviar e a expelir a água em forma de vapor. Aos poucos percebemos que tudo o que vivemos não passou de algo que não atendeu ao que desejamos de mais íntimo, que estava guardado a sete chaves. Percebemos que não buscamos nada, nos entregamos às solicitações do que achávamos que os outros queriam e então, entendemos que a panela precisa ser aberta, pois o que estava lá dentro já está mais do que vivido e se transformou. Às vezes, por não delimitar o tempo de cozimento, tudo ou parte é queimado e o melhor a fazer é jogar fora e começar de novo. Começar de novo com cuidado, com a atenção, colocando os ingredientes apropriados. É o recomeço que pode levar a um ótimo prato e apetitoso.

O artista que está em nós faz isso acontecer, muitos nem se dão conta da importância que tem e ficam buscando por caminhos distorcidos a aprovação do mundo, outros fazem sua obra, mas não a mostram porque não a valoriza com a alma. Esses artistas sofrem porque estão influenciados pela inconsciência de sua capacidade de atração e usam de artifícios outros que fazem com que o caminho permaneça ainda mais difícil. Depois de muito tentar, depois de deixar por muito tempo essa água em ebulição, fazendo uso de repetidas atitudes, o artista pode se dar conta que não é bem por aí. É preciso encontrar um caminho mais genuíno, mais direcionado para atender ao objetivo da psique.

Quando fazemos uso de artifícios inadequados é o mesmo que não perceber que a comida queimou ou está queimando no fundo da panela de pressão.


Texto de Elizabeth Sartori

sábado, 3 de outubro de 2009

Prajapati e sua grandeza

No princípio, Prajapati era sozinho neste mundo: ele pensou: Como posso propagar-me?

Esforçou-se, praticou o tapas (auto incubação); gerou de sua boca, então, agni (o fogo); e porque o gerou de sua boca, agni é consumidor de comida...

Prajapati refletiu: ‘Como consumidor de comida gerei de mim este agni; mas não existe aqui outra coisa que não eu para ele comer; pois a terra foi criada toda nua; não há ervas e nem árvores'.

De repente, agni voltou-se contra ele com a face escancarada...Falou-lhe então sua própria grandeza: ‘Sacrifica’.

E Prajapati reconheceu: ‘Minha própria grandeza falou a mim’; e ele sacrificou...Surgiu então aquele que lá brilha (o sol); surgiu então aquele que aqui purifica (o vento)...E assim Prajapati se propagou pelo sacrifício e se salvou da morte que, como agni, queria devorá-lo...”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

The sounds of silence (Simon & Garfunkel)

E na luz nua eu enxerguei
Dez mil pessoas talvez mais
Pessoas conversando sem estar falando
Pessoas ouvindo sem estar escutando
Pesoas escrevendo canções, que vozes
Jamais compartilharam
Ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio.

“Tolos”, digo eu, vocês sabem
O silêncio como um cancêr cresce
Ouçam as palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender
Nas minhas palavras
Como silenciosas gotas de chuva cairam e ecoaram
No poço do silêncio.

E as pessoas se curvaram e rezeram
Para o Deus de néon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso
Nas palavras que estavam formando
E o sinal disse, “As palavras dos profetas estão escritas
Nas paredes do metrô, e nos corredores dos conjuntos habitacionais”
E sussurraram o som do silêncio.

Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar com você novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em minha mente ainda permanece
Entre o som do silêncio.

Em sonhos agitados eu caminhei só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a áurea de uma lamparina da rua
Virei minha gola para frio e umidade
Quando meus olhos foram esfaqueados pelo flashm
De uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PINÓQUIO

“As fábulas são verdadeiras!” dizia Ítalo Calvino. “São uma explicação geral da vida através das experiências humanas, nossa trajetória no perfazer de um destino: o nascimento, a juventude, o afastamento de casa, as provas para tornar-se adulto e depois maduro, para então confirmar-se como ser humano”.

“Pinóquio é a estória de um menino que de tanto tomar decisões erradas compreendeu que a verdadeira transformação não vem de fora, não vem daquilo que esperam dele. A verdadeira transformação acontece quando decide de verdade mudar sua atitude, quando isso vem de dentro, quando vem daquilo que ele próprio espera de si.”
Alexandra Golik e Carla Candiotto, Cia Le Plat du Jour, Texto e direção.

“...Talvez porque o personagem seja humano demais, desastrado demais, amoroso demais, intenso demais, egoísta demais para ser de fato um boneco. Ele já é gente sem saber que é.”
Professor Wilton Ormundo, Gestor Cultural e Coordenador Pedagógico do CCGSS

“Espero que o público seja tocado pela singeleza, pela graça e pela beleza das aventuras de um boneco que quer ser gente, mas que, na verdade, já se mostra criança desde seu nascimento.” Cíntia Abravanel, Diretora-presidente do CCGSS

Eu tive o prazer de assistir a este maravilhoso espetáculo que está em cartaz no Teatro Imprensa, na Rua Jaceguai, 400, Bela Vista. Foi uma experiência gratificante que começou antes mesmo de entrar no teatro. Fui tomada de uma alegria igual a de uma criança e quando lá estava, dentro do teatro era como se naquele pouco tempo eu vivesse a minha criança interior, me envolvi, ri, torci e fiquei feliz no final, mas sobretudo observei as crianças que lá estavam e, com inocência, participavam com seus comentários em voz alta, na tentativa de mostrar ao Pinóquio qual era a saída. Foi maravilhoso perceber e sentir toda aquela energia lúdica e séria ao mesmo tempo. Elizabeth Sartori, A Aprendiz.


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

DESABAFAR ou BUSCAR A LIBERDADE???

Pensando em “Desabafar muda o cérebro”, entrevista publicada na Revista Época, edição. 471, de 28/05/07:
“Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Júlio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro.
A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo, deve ser publicada na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico).Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. “Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a “rotulagem” da experiência”, diz Peres. “Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa”.
Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.”

O Sr.Júlio Peres abordou explendidamente, dentro de seu contexto de conhecimentos, a melhora nas pessoas que acompanhou, no entanto, procuro aprofundar esse assunto na tentativa de levá-lo à reflexão. Poderia discorrer aqui sobre os “links” complexo-relação com os pais-tipo psicológico, etc. Dentro da linha que atuo não entendo o desabafo sem que ocorra entendimentos e assimilação sincera dos sentimentos na busca de um estado de liberdade interior.
Quando se fala em desabafo pensa-se logo em algo impelido pelo impulso de “jogar para fora” o que está incomodando, o que a princípio pode ser correto, pois a pessoa chega a um limite tal que nada mais importa a não ser transformar os sentimentos em palavras na esperança de ser agraciada com um ganho que poderia ser: a busca de uma solução, a conquista pela vitimização, o estabelecimento do poder, etc.
Existem pessoas que passam anos encarceradas dentro de um estado incômodo, sobre o qual nem consciência tem, chegando a responsabilizar outras pessoas pela sua incapacidade de entender, de sentir, de se expressar. É tema que poderíamos abordar dentro dos mecanismos de defesa. Haveria de se perguntar:

Com que constância e em que situação acionamos nossos mecanismos de desfesa?
Por quê?
Para que?
Estamos cientes deles?
Pelo que pude observar, essas pessoas tem sempre um NÃO como resposta às indagações da Vida. Se mostram indiferentes, insensíveis e implacáveis, são as chamadas “Cabeça-Dura”. Giram e giram em torno de um assunto, mas não saem do lugar e preferem então, deslocar essa energia para alguma atividade que lhes tome tempo e muitas vezes, que não lhes dão prazer, na esperança de receber aplausos para anestesiar a sua dor; ou então, as leva ao isolamento para que assim possam se sentir “vítimas do destino” para evitar a sua exposição diante das situações.
Essas pessoas tem em mente a quantidade e deixam de perceber a qualidade da situação em que estão envolvidas, levando-as à agressão, resistência, apatia, descaso; atitudes estas manifestadas através de gestos, da fala, do olhar, de atitudes.
Isso me faz pensar no conceito sobre uma pessoa que não quer ou não pode crescer psicologicamente, ou seja, a chamada pessoa “Infantil”. É a pessoa que apresenta imaturidade, repressão de sentimentos, atitudes inadequadas diante de uma situação, preguiça, ingenuidade e credulidade negativa, atitude fantasiosa com alheamento da realidade, inadaptação social, isolamento, narcisismo, fuga a responsabilidades, atitudes desdenhosas em relação à sua vida e à de outros, vive provisoriamente em função do futuro fantasioso, e outras.
Fecho com uma frase:
“Ter uma atitude negativa é revelar o que se quer evitar”.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Desapego

DESAPEGO
Estive pensando e refletindo sobre o porquê de nos apegarmos a situações que já se esgotaram e que fazem com que continuemos lá, acorrentados a ferros, sem saber onde estão as chaves que abrem essas fechaduras.

Arrastamos por muito tempo essas correntes na condição de escravos de nós mesmos. É fácil aconselhar e dizer, sem tocar a alma:
-DESAPEGUE-SE!

Desejamos algo e como cegos nos entregamos aos devaneios e aos sentimentos mais profundos dos quais sequer temos noção até que olhemos para nós mesmos e nos perguntemos:
-POR QUÊ?
-DO QUE É QUE EU NÃO QUERO ABRIR MÃO?
-DO QUE É QUE EU NÃO QUERO ME DESFAZER?

Para responder essas perguntas é preciso coragem e sinceridade por parte de quem as faz, uma vontade profunda de se descobrir, de se disponibilizar para novos caminhos.

Recentemente assisti a um filme que, entre tantos outros, mostrou-me a força dessas correntes.

HERÓI, um grande épico das artes marciais em que um guerreiro quer vingar-se, matando o Imperador, por ter tido sua família morta durante um ataque do exército chinês.

Fica muitíssimo claro que, neste caso, dominado pelo ódio e vingança, esse homem trazia em seu coração os mais duros sentimentos e que não estando disponível ao entendimento/desapego, não enxergava os propósitos mais nobres do Imperador, a unificação do povo chinês. No final do filme esse homem é tocado na alma o que faz dele, o Herói.

Aqui as correntes foram o ódio e a vingança, mas poderia ter sido: culpa, medo, poder, segurança, ressentimento, menos valia, dinheiro, cargo, posição social... A intensidade dessas energias pode nos levar a pensar que estamos em atividade, mas se olharmos com compreensão veremos e sentiremos o quanto poderemos estar "parados, presos dentro de um círculo que não se amplia, que nada produz, que não tem sentido.

FINALMENTE, O DESAPEGO SIGNIFICA O INÍCIO DE NOSSA LIBERDADE. O FIM DE NOSSA PRISÃO DE VALORES E A OPORTUNIDADE DE NOS TORNARMOS EFETIVAMENTE SABEDORES DE QUE SOMOS OS SENHORES DE NOSSOS DESTINOS E QUE PODEMOS, SIM, TRANSCENDER OS LIMITES DAS NOSSAS INCAPACIDADES.

Elizabeth Sartori

quinta-feira, 30 de julho de 2009

PARA REFELTIR

SCHILLER: "Se nos limitarmos, pois, somente ao que a experiência nos ensinou até agora sobre a influência do belo, não poderemos estar muito entusiasmados em desenvolver sentimentos que parecem tão perigosos para a verdadeira cultura da humanidade; seria preferível abdicar da força dissolvente do belo, mesmo com o risco de rudeza e austeridade, do que ver-nos entregues, apesar de todas as vantagens do refinamento, à sua influência entorpecente".

JUNG: "A luta entre o poeta e o pensador poderia ter sido contornada se o pensador não tomasse as palavras do poeta literalmente, mas simbolicamente - e é dessa forma que a linguagem do poeta quer ser entendida. Será que SCHILLER se enganou a respeito de si mesmo? Parece que sim, pois, caso contrário, não teria argumentado dessa forma contra si mesmo. O poeta fala de uma fonte de beleza pura que está além de qualquer idade ou geração e flui constantemente no coração de toda pessoa. Não é do grego da antiguidade que o poeta tinha em mente, mas o velho pagão que habita em nós, aquela parcela de natureza eternamente inocente e de beleza natural, inconsciente mas viva em nós, ...É o homem arcaico em nós, rejeitado pela nossa consciência orientada coletivamente, que nos parece tão feio e inaceitável mas que é o depositário daquela beleza que, em vão, buscamos alhures. É desse homem que fala o POETA SCHILLER, mas o PENSADOR SCHILLER confunde-o com o protótipo grego. O que o pensador não pode deduzir logicamente de seu material demonstrativo, mas pelo que se esforça inutilmente, isto lhe promete o poeta em linguagem simbólica."

domingo, 12 de julho de 2009

Resistência

RESISTÊNCIA
O termo resistência segundo a psicanálise freudiana indica uma atitude de oposição do sujeito em relação a tomar consciência de seus desejos e impulsos os quais dão origem aos sintomas da patologia. É uma forma específica de defesa, como ligação estreita com o sofrimento determinado pela necessidade de punição, como repetição coagida de momentos dolorosos.

Segundo Fairbairn: “O primariamente reprimido não consiste nas intoleráveis recordações desagradáveis, mas sim nos intoleráveis objetos maus internalizados...a maior fonte de resistência é constituída pelo temor à liberação dos objetos maus do inconsciente, porque quando são estes libertos, o mundo que rodeia o enfermo torna-se povoado por demônios que o aterrorizam...somente através de uma crescente intensificação da transferência (isto é, através do deslocamento gradual da libido de um objeto internalizado reprimido a um objeto exterior) pode ser eliminada a principal fonte de resistência...”

No pensamento junguiano a resistência é entendida como imagem de oposição psíquica, ou seja, refere-se às noções de unilateralidade e de par de opostos.

A resistência é uma defesa contra a ampliação da consciência, que é uma característica da fase infantil quando o indivíduo quer permanecer em “participação mística”, quer continuar a ser criança isento de responsabilidades consigo mesma. Essa criança rejeita tudo o que é estranho ao ego, ou então, sujeita o estranho ao seu ego imaturo, não querendo fazer nada, estabelecendo fantasias de poder e domínio. É uma fase egoísta e não dualista, na qual o indivíduo se vê diante da necessidade de reconhecer e aceitar aquilo que é diferente e estranho como parte do Todo.

Mantendo a consciência dentro de estreitos limites, não permitindo que a tensão dos opostos se conclua e de origem a um estado de consciência mais ampla, o indivíduo se protege contra o que é novo e estranho e regride ao passado ou se identifica com o novo e foge do passado. A projeção de consumar altas esperanças e objetivos distantes constitui o impulso manifesto da vida que se converte em medo da vida, em resistências neuróticas, depressões e fobias, levando o indivíduo a não realização no presente, pois recua diante de certos riscos sem os quais não se podem atingir as metas prefixadas.

O inconsciente tem uma força poderosíssima, onde contem muita vida, toda a natureza do indivíduo, mas o indivíduo luta para não tomar contato com esta força, com um medo secreto de sucumbir a ela e ser tomado por uma doença mental e/ou perda da consciência. Encontramos esse medo no homem primitivo como se fora uma magia das mais temidas. A resistência se faz presente levando o indivíduo a viver com devaneios e ilusões oriundos de um ego infantil. O indivíduo se refugia na consciência ainda pobre de vida, como porto seguro contra os ataques do inconsciente, no entanto, somente uma aceitação e uma negociação com essas forças, hasteando a bandeira branca, é que este indivíduo terá a perspectiva de solução e amadurecimento
.
Essa negociação que se faz com as unilateralidades, com os opostos, positivo e negativo, esperança e desconfiança, atração e resistência, amor e ódio intermediando e exigindo uma reconciliação entre eles.



Dicionário Junguiano
Paolo Francesco Pieri, Ed. Vozes
Séculos XX e XXI – O que permanece e o que se transforma
Instinto de Vida e de Morte
IV-Atualização em Medicina Psicossomática e Psicoterapia de Grupo
Editora Lemos
Ab-reação, análise dos sonhos, transferência
C.G.Jung, Ed. Vozes
A natureza da psique
C.G.Jung, Ed.Vozes

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sincronicidade

Ao contrário de Newton que separava espaço do tempo, Einstein com a Teoria da Relatividade mostrou que existe uma relação profunda entre espaço e tempo, considerando que estes fenômenos são UM SÓ e que tem a ver com a velocidade da luz. No entanto, nós, os seres humanos somos lentos para perceber esse UM SÓ. Por conta dessa lentidão temos uma visão míope do TODO. Consideramos um pequeno flash de luz como a descoberta das descobertas sobre o que nos cerca, inclusive sobre nós mesmos.

Jung, com base na teoria de Einstein, nos presenteou com o que chamou de SINCRONICIDADE que é a relatividade do tempo e do espaço condicionada psiquicamente, envolvendo fenômenos físicos e não físicos, significativos uns aos outros. Por sincronicidade entende-se a simultaneidade de um estado psíquico com vários acontecimentos.

Esses acontecimentos podem ser mais significativos quando nós estamos em "Abaissement du niveau mental". Neste este estado psíquico nos disponibilizamos para que conteúdos do inconsciente aflorem à consciência sob a forma de imagens. Deixamos, portanto, o ego inerte e receptivo ao que o nosso Eu interior quer que saibamos e sobre o que quer que reflitamos. A partir do entendimento das imagens tomamos consciência dos acontencimentos que estavam presentes, mas que não víamos. Há porém de ressaltar que as vezes é preciso aceitar que algumas coincidências são apenas sinais que vão indicando em que direção está o ponto de chegada.

Para um evento sincronístico, uma coincidência significativa a pergunta é:

PRA QUE??????
Por: Elizabeth Sartori

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A busca do desconhecido

A BUSCA DO DESCONHECIDO

Por: Elizabeth Sartori


O fantástico misterioso da mente humana leva muitas pessoas a procurar através de pesquisa, observação, vivência, situações na esperança de encontrar respostas para entender e realizar seus sonhos e suas necessidades. Assim, são todas as pessoas sem exceção, cada uma dentro de seu limite psíquico, que considerando uma homogeneidade coletiva, recebe e aceita as condições impostas pelo cultural, social e familiar sem saber o por que da sua conduta diante do que lhe é exigido.

Embora dentro desse contexto, o ser humano ainda teima em galgar degraus que possam levá-lo a níveis transcendentais, querendo tornar conhecido o desconhecido, considerando que o que está “fora” é o que pode dar-lhe momentos de elevação e satisfação.

Se, considerarmos por amostragem, uma população de mil pessoas, notadamente haverão aqueles ou aquele que se diferencia dentro desse grupo escolhido para então, dirigi-lo para algum ponto, pois de modo geral o ser humano reconhece, mesmo que inconscientemente, a necessidade de um líder.

Esse líder, dentro de suas limitações, substitui a figura do pai para aquelas pessoas, dando-lhes uma direção rumo ao desconhecido. Essas pessoas se eximem da responsabilidade de seus atos imputando as conseqüências ao líder e assim, sentem-se protegidas pelo diferencial que esse líder apresenta.

A proposta que coloco é levar o leitor a uma reflexão acerca de várias atitudes, tais como: obediência, respeito, admiração, medo, culpa, responsabilidade, impotência, limites, filantropia, arrogância, prepotência, etc...

Então, o que leva o ser humano, aquele que foi dotado do “pensar o sentir” a se dispor na caminhada pelo desconhecido? E porque se sente insatisfeito quando pensa ter alcançado seu objetivo?

Tem-se falado em matéria, em espírito e em alma. Três ingredientes importantes no conjunto que leva o ser humano a entrar em contato com o desconhecido. As pessoas podem considerar que só a matéria, ou só o espírito pode “falar” mais alto diante do coletivo e não percebem que um ingrediente tão importante quanto eles é o que compõe o todo, a alma.

Por matéria, entende-se o corpo que temos, aquele que abriga a alma, a Essência.

O espírito, um momento específico, dinâmico, autônomo, que contem energia, com componentes emocionais e simbólicos que tomam conta da personalidade. É aquele que impulsiona o ser humano a um objetivo, à realização de algo.

A alma é a mediadora entre a matéria e espírito.Ela é alimentada pela imaginação através da metáfora, que é a linguagem colorida que carrega carga emocional, é poesia, é a transposição da matéria para o mundo do espírito, o que chega à matéria através dos cinco sentidos.

Jung diz que “contemplar as imagens é o caminho da totalidade”.

A pessoa pode aparentemente se dar por satisfeita quando dirige sua energia para atividades diversas, correria frenética, ideais perfeccionistas, competições desmedidas ou somente para assuntos ligados ao misterioso deixando de estar em contato com o material, seu corpo. Essas atitudes não satisfazem a tríade espírito-alma-matéria, pois há uma potencialização de uma em detrimento das outras duas, gerando uma fuga que aumenta a ruptura entre o espírito e a matéria.

Perguntar o que essa ou aquela atitude está nos querendo dizer, nos leva também ao enriquecimento da alma, pois nos coloca em confronto com as nossas unilateralidades e nos leva a conhecer o ponto de partida para a solução de um conflito. Em se tratando, então, dessa reflexão, que poderíamos chamar de um ato espiritual, o ser humano, alimentando a alma, torna o espírito dinâmico e tem um bom relacionamento com a matéria. Essa tríade funcionando leva ao cumprimento da “missão”, se assim posso nomear, ou cumpre-se o caráter finalista daquele ser dentro do contexto complexual que fará movimentar outros seres em busca de si mesmo.

A alma ou psique é a conditio sine qua non para o pronunciamento do espírito e o bem-estar da matéria. Sem alma, o ser humano não se percebe no mundo, não se relaciona consigo próprio, nem com o outro, e portanto não estabelece vínculos ficando à margem da sociedade e não entendendo o por quê.

Baseado nos textos de:
Carl Gustav Jung em Símbolos da Transformação
Paolo Francesco Pieri em Dicionário Junguiano
Murray Stein em Jung-O Mapa da Alma