sexta-feira, 27 de março de 2015

FEMININO E MASCULINO - Duas formas clássicas de ver.

Ao longo da vida vi e convivo com mulheres e homens que reclamam sobre a incapacidade de se relacionar. Entendo que todos os incômodos são sofridos pelo Ego porque somos ignorantes do que a nossa alma quer dizer. Quando nascemos, as pessoas que nos cercam vão nos ensinando a falar a língua delas, a pensar como elas e a viver como elas. Somos alfabetizados por eles. Mas quando ganhamos um pouco de consciência vamos entendendo que não falamos a língua da alma e aí fica difícil responder as nossas mais profundas perguntas. Essa língua estranha nos fala através de situações que "cutucam" o Ego, como se fosse uma mímica e nós ficamos tentando adivinhar o que ela quer nos dizer. Entre tantos outros, temos os arquétipos da Anima (parte feminina no homem) e do Animus (parte masculina na mulher). Dois aspéctos da alma que pedem compreensão e integração.

“O que se passa com a masculinidade? Sabes quanta feminilidade falta ao homem para seu aperfeiçoamento? Sabes quanta masculinidade falta à mulher para seu aperfeiçoamento? Vós procurais o feminino na mulher e o masculino no homem. E assim há sempre apenas homens e mulheres. Mas onde estão as pessoas? Tu, homem, não deves procurar o feminino na mulher, mas, deves procurá-lo e reconhecê-lo em ti, pois tu [o] possuis desde o começo. Mas gostas de desempenhar o papel da masculinidade, porque isto flui pelo caminho desimpedido do tradicional. Tu, mulher, não deves procurar o masculino no homem, mas deves aceitar em ti o masculino, pois tu o possuis desde o começo. Mas isto te diverte e é fácil fazer o papel de mulherzinha, por isso o homem te despreza, pois ele despreza o feminino. Mas a pessoa é masculina e feminina, não é só homem ou mulher. De tua alma não sabes dizer de que gênero ela é. Mas se prestares bem atenção, verás que o homem mais masculino tem alma feminina e que a mulher mais feminina tem alma masculina.” (JUNG, 2013, p.203, Livro Vermelho)

 “A possessão pela anima ou pelo animus transforma a personalidade de modo a dar proeminência àqueles traços que são considerados psicologicamente característicos do sexo oposto. Em um ou outro caso, uma pessoa perde a individualidade, antes de tudo, e, consequentemente, tanto o encanto como os valores. Em um homem, ele fica dominado pela anima e pelo princípio de EROS com conotações de inquietação, promiscuidade, mau humor, sentimentalidade – o que quer se possa definir como uma emocionalidade irreprimida. Uma mulher sujeita à autoridade do animus e do LOGOS é controladora, obstinada, cruel, dominadora. Ambos tornam-se unilaterais. Ele é seduzido por pessoas inferiores e forma ligações pouco significativas; ela, sendo absorvida por um pensamento de segunda classe, marcha à frente sob a égide de convicções que não levam em conta os relacionamentos.”(SAMUELS, et al,p. 36)

E como diz Fabrício Moraes: "Reconhecer o Outro e integrar sua diferença em nossa realidade psíquica é uma atividade heróica".

Elizabeth Sartori
Psicanalista
Atendimento na Zona Sul e Zona Norte
(11) 9.9218-2418

sexta-feira, 13 de março de 2015

A raiva e a gastrite e esofagite [2015]


Depois de muitos anos com problemas de gastrite e esofagite, resolvi entender melhor o porquê dessas doenças incomodas. Pensei à princípio sobre se eu tinha sentimentos de raiva e de onde eles vinham. Comecei a viajar de volta ao meu nascimento e  percebi que toda vez que enfrentava uma mudança eu tinha uma recaída. Ah! Isso fazia sentido já que quando eu me sentia confortavelmente instalada, a vida me pregava uma peça e pronto! Tinha que enfrentar novas situações. Até para nascer eu dei trabalho. Fiz minha mãe gritar a noite toda. É, eu não queria sair do seu ventre quentinho.

Pensei que pudesse haver outros elementos que eu não conhecia e então, busquei e encontrei o texto “Emoções de raiva associadas à gastrite e esofagite” e nele pude confirmar o que já havia entendido e mais um pouco. Acredito que há mais dados para amplificar esse tema, mas tudo a seu tempo porque as peças que faltam precisam ser polidas para se encaixar no lugar certo e na hora certa.

Abaixo está um texto que foi extraído do “Emoções de raiva associadas à gastrite e esofagite” de Maria Teresa Nappi Moreno e Ceres Alves Araujo [2005]. Boa leitura!

A emoção é uma reação involuntária oriunda da ativação de um complexo. Darwin [1872] percebeu que o aumento do fluxo sanguíneo na cabeça é, geralmente, um dos primeiros sinais de uma emoção.

Não só o fluxo sanguíneo como todo o sistema biológico e psíquico é envolvido na descarga de adrenalina (emoção de medo) e, noradrenalina e adrenalina (emoção da raiva). Essa descarga leva o organismo a se aproximar ou se afastar de um determinado objeto, com alterações somáticas, como p.ex. o uso e tom da voz em determinadas situações.

Um complexo é um aglomerado de associações, um conjunto coeso de sentimentos, pensamentos, percepções e memórias de carga emocional que existem no inconsciente, com caráter traumático ou doloroso e altamente acentuado. O complexo é uma imagem de uma situação psíquica que tem um tom emocional alto e que é incompatível com as atitudes habituais da consciência. É dotado de tensão ou energia própria, tendendo a formar uma pequena personalidade. Quando o indivíduo é acometido por uma doença existe aí um indício de que há um complexo autônomo que precisa ter seus conteúdos reconhecidos pelo ego.

Segundo (Jung [1942] 1982, p.15): “Um indivíduo que se encontra com este nível inferior, com suas emoções descontroladas, encontra-se incapaz de realizar um julgamento moral”.

A raiva é uma emoção primária, com conotações morais, porque é cheia de razões. Acompanhada de um impulso ataca para promover a sensação de ganhar a luta. Aquele que sente a raiva “significa que algo caiu sobre ele, que o subjugou, que o demônio está montado nele, que está possesso, ficamos fora de nós, de tanta raiva, já não somos por um demônio, por um espírito.” ( Jung ([1928] 1984, p.627)

Para Viscott (1982), raiva é o sentimento de ser irritado, ofendido, ser posto de lado, molestado, importunado, de estar enraivecido, de estar “esquentado”. Raiva e ansiedade também estão ligadas a reações de mágoa e de perda.

Quando o indivíduo está em “estado de raiva” é porque esta emoção foi segurada ou suprimida, então ela passa a ser vivenciada subjetivamente variando de intensidade de indivíduo para indivíduo, que vai desde um leve aborrecimento ou irritação até a fúria intensa ou cólera, acompanhada geralmente por excitação e tensão muscular, sendo que sua intensidade varia em função de como a injustiça ataque ou tratamento injusto pelos outros é percebida. Nesse estado, a raiva encontra-se mais direcionada para o ego, podendo resultar em culpa e depressão. Os indivíduos que fazem uso excessivo de negação e repressão, o fazem como uma forma primária de fazer oposição e evitar a raiva. São os injustiçados pelos outros, com grande número de frustrações reais ou imaginárias.

Existem dois tipos de raiva, um é a “raiva para dentro” que são os sentimentos de raiva guardados, reprimidos ou direcionados para o ego ou para o eu, resultando, às vezes, em sentimento de culpa e depressão, sendo, muitas vezes sem consciência do sentimento de raiva em si, e a “raiva para fora” que é expressa por meio de agressões físicas ou verbais e que tem uma correlação com a ansiedade.

Segundo Presa (2002), estudos mostram que indivíduos classificados em “raiva para dentro” apresentam pressão arterial sistêmica mais elevada do que os indivíduos classificados em “raiva para fora”.

No “estado de raiva” e na “raiva para dentro”, os indivíduos têm tendência a não reconhecer os sentimentos e as emoções o que resultam em reações psicossomáticas, não conseguindo nomear suas emoções, exemplos dessa patologia são encontrados nos bruxômanos que são acometidos com a ausência de palavras para nomear suas emoções, nos bulêmicos que não conseguem manter os alimentos, nas dores de cabeça, obesidade...

Os efeitos da raiva e do stress são semelhantes na redução da imunidade, com declínios dos neutrófilos, e na percepção da dor.

A raiva é importante para a psique devido à sua capacidade de impulsionar ou destruir o movimento da vida para diante. Ela tanto pode possuir o indivíduo, “cegando-o”, quanto facilitar sua “visão” com uma tomada de consciência da situação. Raiva e fúria encontram-se relacionadas por meio do processo de transformação psicológica. A fúria se mostra como uma possessão arquetípica, impedindo que o indivíduo faça uma reflexão consciente sobre seu significado. Quando o indivíduo se encontra enfurecido, é como se estivesse “a caminho da guerra”. Sempre impulsivo, é considerado portador de discórdia.

Há, em nós, uma profunda força interna que faz com que aprendamos novas habilidades, desde que a raiva não seja contida, que possa ser canalizada adequadamente.

Segundo Martin (s.d, p. 6). Hefesto “traz com a fúria suas possibilidades inventivas de fazer símbolo. Enquanto Ares inflama em atividade exterior, Hefesto queima internamente, na imaginação”.

(Alexander [1950] 1989, p.50) divide o trabalho no sistema nervoso central em:
Sistema nervoso central -> regula as relações com o mundo externo.
Sistema nervoso autônomo -> controla os processos vegetativos internos. Se diminui, a pessoa para a ação para o externo, fica dependente. Ex.: Indivíduo foge de situações de perigo por meio da diarréia, da neurose gástrica. A raiva está associada a níveis de intensidade alterados (altos e baixos) nos níveis de adrenalina, noradrenalina e cortisol e reações psicossomáticas, com sintomas típicos do sistema nervoso autônomo.

O ego não deve se identificar com um ou com outro polo e sim percebê-los simultaneamente.

A Depressão é por este símbolo de que a simbologia matriarcal é expressa. Pode ser notado por alterações da nutrição, com transtornos alimentares, de disfunções de nosso sistema digestivo e respiratório. Os sentimentos como temor, ira, raiva também podem ser expressos por meio de gastrite, refluxo, cólicas abdominais e diarréia em qualquer fase da vida.

Ramos (1994) aponta que a dificuldade de simbolizar no nível abstrato poderia ser consequência de uma interrupção pré-matura da relação mãe-bebê.

O estômago é um local de acolhimento e depósito de tudo que foi engolido. A mucosa gástrica perde sua função de fronteira interna, de barreira, na gastrite. O excesso de acidez estomacal atua como sensação de pressão e impedimento à recepção de novas impressões.

O “traço de raiva é a disposição do indivíduo para vivenciar a raiva." Segundo Spielberger (1992), estado de raiva é:
“a disposição de perceber uma gama diversa de situações como desagradáveis e frustradoras e a tendência a reagir a tais situações com elevações mais frequentes no Estado de Raiva. Os indivíduos com um Traço de Raiva muito alto experenciam o Estado de Raiva mais frequentemente e com maior intensidade do que os indivíduos com um Traço de Raiva baixo (p. 9)."

Nos indivíduos com gastrite e esofagite, assim como o alto colesterol o “traço de raiva” é acima da média. Eles não expressam sua raiva por meio de comportamentos agressivos, dirigidos a outras pessoas ou objetos. Eles são incapazes de exteriorizar seu sentimento de raiva por gestos, como bater porta, atirar coisas, ou por atos físicos diversos, como também não se dirigem às pessoas por palavrões, sarcasmo, ameaças, críticas ou insultos (raiva para fora).

Parece que as pessoas com gastrite e esofagite possuem um temperamento explosivo, são, geralmente, impulsivas, e, independente de haver ou não um fator externo que pudesse provocar a raiva, elas vivenciam fortes sentimentos de raiva, como se fossem constantemente agredidas e os homens são mais sensíveis a críticas e avaliações negativas do que as mulheres, sendo que para as mulheres a raiva não aparece clara e sim o nervosismo e a ansiedade. Para as mulheres o fato de até bem pouco tempo não ter o direito de trabalhar fora de casa, de votar, de competir, a raiva por ser geralmente acompanhada por impulsos violentos, tanto em relação aos que ofendem, quanto contra quem sente raiva, seria, então, perigoso vivenciar e expressar essa emoção.

 “Na passagem da juventude para a meia-idade, a pessoa, no processo desejável de desenvolvimento, passa a ter uma maior preocupação com seu sentido de vida, com valores espirituais, culturais, com o ser, e não dando mais tanto valor com o ter. Questiona de um modo mais profundo, sobre sua identidade. A essa fase de mudanças profundas há a possibilidade de início do processo de individuação, nos termos de Jung.”

Será que essa frustração e sentimentos de serem injustiçados a maior parte do tempo, essa autoagressão, a negação dos conflitos para não entrar em contato com seus significados não estariam relacionados ao sentido da vida e objetivos não atingidos?  Será que nessa passagem o indivíduo ao rever sua vida, levanta a hipótese, no questionamento da vida, estaria entrando em contato com sentimento de possibilidades que não se concretizam, com possíveis fracassos, e tendo dificuldade em lidar com esses aspectos, aumenta suas fantasias de serem injustiçadas frequentemente?

A dificuldade de se nutrir também está associada ao fator do indivíduo sentir, p.ex., “dor na boca do estômago”, sendo dolorosa a entrada do alimento. É como se o que viesse de fora pudesse ser visto como sendo ruim, não nutridor.

O não saber lidar com as emoções adequadamente, o engolir tudo indiscriminadamente, negando a raiva, não permitindo que a agressividade seja adequadamente exercida na elaboração simbólica, atuada de forma criativa, o não integrar o reprimido na consciência, pode estar relacionado com o surgimento de sintomas psicossomáticos, como a gastrite e com a esofagite.

“...essas ideias suspensas sobre a não entrada com as emoções subjacentes aos conflitos podem expressar-se facilmente no corpo, frequentemente como problemas de pele, de estômago e intestino, ou seja, diarréia ou constipação. As pessoas que não querem deixar algo ir embora podem produzir uma extraordinária constipação.” (Jung, [1935] 1982, par).

Aspectos simbólicos da gastrite e da esofagite são nutrir, com a figura materna, e a fase do matriarcado. Nessa fase do matriarcado há o predomínio do Eros, do afeto, do toque, da nutrição, da intimidade e da sobrevivência. Nosso corpo pode expressar o simbolismo dessa fase, do matriarcal por meio do abraçar, do acariciar e do se nutrir, assim como, se houver uma má elaboração dessa fase, nosso corpo poderá rejeitar o toque, o nutrir-se, ou alimentar-se em demasia.

Essas relações irão depender de como foram nossas relações primárias, de como foram ativados os complexos relativos a cada fase do desenvolvimento. Além disso, pode-se perceber se houve ou não fixação e estagnação nessa fase primária.

O estômago pode ser considerado como um símbolo do materno, tendo a função de receber, de acolher, de conter. Na gastrite o alimento não nutre, machuca. A auto-agressividade que aparece no excesso de ácidos, “corroendo” a mucosa gástrica, poderia estar relacionada com as dificuldades de pôr para fora aspectos agressivos, destrutivos.

A agressividade é muito importante para a nossa vida e pode ser vista como uma das funções estruturantes da personalidade. Byinton (2003) mostra que “a afetividade ensina o Ego a dizer ‘sim’, e a agressão, a dizer ‘não’ (p.82)”.

Se não houver uma elaboração simbólica, poderá haver uma fixação e estagnação de energia psíquica em um determinado complexo, impedindo sua transformação e integração, e sua constante repetição poderá levar à cronicidade, de crônico (Cronos=tempo). Será necessário resgatar os elementos simbólicos para poderem ser elaborados criativa e prospectivamente.

O ser humano parece possuir fantasias agressivas e de retaliação desde seus primeiros dias de vida, na relação mãe-bebê, na relação eu-outro, na relação eu-sociedade... Essas primeiras fantasias permeiam a vida do indivíduo em todas as suas etapas, consciente e inconscientemente. No início da vida, nós não temos problemas conscientes pessoais. Com a maior aquisição da consciência, com a dúvida, com o medo do desconhecido, começam nossos problemas, pois, quanto mais nos tornamos conscientes, mais nos afastamos da nossa natureza, dos nossos instintos e do nosso inconsciente.

No nosso amadurecer, há a necessidade de entrarmos em contato com nossos conflitos interiores, em saber integrar elementos da nossa sombra na nossa consciência, que, geralmente, é uma parte difícil, que nos faz sofrer. E, nesse momento, as pessoas tendem a fazer de conta que os conflitos não existem, negando-os, reprimindo-os. Com isso, eles retornam para o inconsciente, porém não desaparecem.

Esses conteúdos pertencentes à sombra emergem em um determinado momento, carregados de energia psíquica. Quando irrompem na nossa personalidade, é como se apossassem dela, pois neles sempre há uma relação com os complexos e as imagens arquetípicas por eles constelados. E, nesse momento, eles podem aparecer como sintomas com manifestação predominantemente psíquicas, ou predominantemente físicas.

Elizabeth Sartori - Psicanalista


REFERÊNCIAS:
Moreno, Maria Teresa Nappi e Araújo, Ceres Alves [2005]. Emoções de raiva associadas à gastrite e esofagite.
Alexander, F. (1989). Medicina psicossomática: princípios e aplicações. In. Porto Alegre: Artes Médicas. (Original de 1950).
Byington, C. A. B. (2003). A construção amorosa do saber. São Paulo: W11.
Darwin, C. (2000). A expressão das emoções no homem e nos animais. São Paulo: Companhia das Letras. (Original de 1872).
Jung, C. G. (1982). Estudos sobre psicologia analítica. (Original de 1942). In C. G. Jung (Ed.),
Obras Completas de C.G. Jung. (Vol. 7). Petrópolis.
Jung, C. G. (1984). A dinâmica do inconsciente (1928). In C. G. Jung (Ed.), Obras Completas de C.G. Jung.
(Vol. 8). Petrópolis: Vozes.
Presa, L. A. P. (2002). Mensuração de raiva em motoristas: STAXI. São Paulo: Vetor.
Martin, S. A. (s.d.). A raiva como transformação interior. São Paulo: CID.
Ramos, D. G. (1994). A psique do corpo: uma compreensão simbólica da doença. São Paulo: Summus
Spielberger, C. D. (1992). Manual de Inventário de Expressão e Raiva como Estado e Traço (STAXI).
São Paulo: Vetor.

Viscott, D. S. (1982). A linguagem dos sentimentos. São Paulo: Summus.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O MAL SE ALIMENTA DE...



Liguei a TV e fui ver o que tinha na programação daquela noite. Pára aqui, pára alí e então, vi uma cena na qual um Titã dizia que ele se alimentava do medo, o que me chamou a atenção. Não podia deixar de refletir sobre essa fala. Era inevitável.

A palavra Titã vêm do latim Titan, que por sua vez tem origem do grego Τιτάν, Ti-tan. Para James Hastings, esta palavra em etimologia popular vem de títaks, "rei" e titéne, "rainha. Esta hipótese parece mais clara e adequada às funções dos violentos titãs no mito grego, que passou a ter o sentido de "pessoa ou coisa de grande tamanho" . Seriam divindades primitivas, talvez de remota origem oriental, ligadas a ritos agrários. Sua vinculação aos elementos primários da natureza parece confirmada por uma lenda órfica posterior, que atribui aos titãs a origem da parte terrestre, ou material, dos seres humanos.

No meu entender o “indivíduo titã” não só se alimenta do medo do outro, mas de suas culpas, inferioridades, sentimentos de rejeição, vergonhas, covardia e outros sentimentos de origem primitiva.  

Se considerarmos que o Titã é “pessoa ou coisa de grande tamanho”, o “indivíduo titã”, que tem por característica principal o poder, olha o outro como ser inferior, apesar de ele ser mais frágil do que nós pressupomos, pois esconde um ponto frágil em sua personalidade que não pode aparecer.

Você consegue olhar e reconhecer seu lado Titã?
Será que você o camufla com o seu lado deus-herói?

Elizabeth Sartori
Psicanalista

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O QUE É SER MATERIALISTA?

Tive a oportunidade de refletir sobre esse tema e gostaria de compartilhar com você.

Entendo que o materialista é aquele que põe em primeiro lugar o material, os seus interesses não levam em conta o ser humano.

Ao lado de minha casa funciona uma mecânica, tudo bem até aí, mas acordar as 06h da manhã com o indivíduo acelerando um carro e esfumaçando minha casa, não dá. Antes da instalação dessa mecânica eu acordava com o canto dos pássaros, agora é com o ronco de motores e o primeiro ar que respiro é monóxido de carbono. Fazer o quê? Arrumo-me e saio.

Vou para uma empresa e chegando lá a encontro renovando a pintura de suas paredes. Primeiro passo é preciso lixar. Imagine só a quantidade de pó sendo inaladada pelos empregados daquele escritório e por mim que estava lá. Como não bastasse o pó, veio logo em seguida a pintura. Ah! A pintura... uma tinta com um cheiro insuportável, mais barata, é claro. Para que? Para embelezar paredes que haviam sido pintadas há uns meses atrás ou teria uma razão mais “nobre”?

E, então, para fechar com chave de ouro, transitando pela marginal, me vi enfurecida com o descaso que o governo tem com relação à poluição que os caminhões deixam para tráz. A maioria desses caminhões não são de São Paulo e por isso eles podem vir de suas cidades e deixar seu rastro negro. O que esses indivíduos ganham com isso? Economia? Porque a lei serve para uns e não para outros? Como é que é isto?

Sentindo raiva de tudo esse descaso que começou logo cedo, me vi incapaz de fazer algo diretamente à cada um desses indivíduos que os fizesse se conscientizar da sua autodestruição e da destruição alheia. Era como estar só enfrentando o dragão da inconsciência. Como eles podem respeitar o ser humano se eles mesmos não se respeitam?

Esses indivíduos conduzem-nos aos médicos, às farmácias, às desconfiança de suas intenções tão nobres como consertar devidamente um carro, deixar a aparência do escritório mais bonita e carregar o que preciso for pelas estradas de um destino ao outro.

Quando um indivíduo se propõe a enxergar como ser humano a si mesmo, ele certamente verá o outro também como tal.

Sabemos que o ideal para a nossa vida está em se equilibrar e que sempre teremos em nossa vida a luta entre os opostos, tais como: bom-ruim, ganância-generosidade, consciência-inconsciência, materialista-altruista. Não quero dizer com esse desabafo que o material em si é ruim porque senão seríamos eremitas no deserto. O que prejudica e impede a evolução é a unilateralidade desses indivíduos, uma vez que seus propósitos vão de encontro ao que há de ruim neles, poder e ganância de ordem financeira, status, ignorância ou outra qualquer.

Elizabeth Sartori
Psicanalista

domingo, 28 de julho de 2013

EMANCIPAÇÃO - RESULTADO DE UMA LIBERTAÇÃO

Em psicanálise, um dos entendimentos por parte do analisando é a luta contra o que representa a mãe e depois o pai. A partir do momento do nascimento o indivíduo, até mais ou menos 07 anos, passa a receber as orientações da mãe do que pode ou não pode ser, ter e fazer. Em seguida, vem as críticas dele em relação ao que está recebendo dessa mãe e ele vai ao encontro do pai, que por ter seus medos e inseguranças, passa a fazer o mesmo que a mãe. E assim, esse indivíduo que ainda não o é chega ao status de adulto.

Quando adulto, mesmo não convivendo mais com os seus pais, ainda vê a mesmas orientações através de outras pessoas sobre as quais ele projeta a autoridade deles. Como exemplo, temos a interferência no que ele deve ou não cursar na faculdade, trabalhar ou não em uma empresa, comprar algo, namorar ou casar com alguém, educar os filhos e outras.

Normal  !?!  Normal, até certo ponto, já que a criança ainda não tem condições para decisões.  Ela está em formação de sua personalidade. Porém, existem casos de crianças que não tiveram essas orientações, enquanto pequenas, o que resulta daí, adolescentes e adultos que vemos por aí cometendo atrocidades.

A emancipação do adulto está em tomar suas próprias decisões e arcar com as consequências boas e más. Só, então, esse indivíduo poderá experenciar, aprender e apreender sobre sua disponibilidade para a Vida. Viver as experiências de outros e, portanto, protegido não leva o indivíduo ao autoconhecimento, muito pelo contrário, ele vive uma vida sem sentido, cercado de inseguranças e insatisfeito. Ele vive numa prisão sem
saber.

Elizabeth Sartori
Psicanalista

Atendimento na Zona Norte

quinta-feira, 14 de março de 2013

Psicologia Social

Gravei este vídeo sobre Psicologia Social para IPED.TV que oferece vários cursos gratuitos.

Moedas e Cédulas



 As moedas e cédulas, para muitos indivíduos, representam apenas o poder de compra. No entanto, se analisadas atentamente, podem ser importantes fontes de reflexão sobre a realidade. A iconografia nelas impressa não é arbitrária. Atuam sobre a regulação das relações e práticas sociais, definindo o que é aceitável e compreensível. Essa iconografia dos numerários, portanto, não deve ser tratada simplesmente por seu valor monetário, sua raridade ou antiguidade, mas como um instrumento de construção e legitimação de determinadas representações de grupos sociais, instituições, Estados etc.


Moedas e cédulas ainda são um dos mais importantes indicativos do poder dos Estados republicanos. Com o monopólio de sua cunhagem e impressão, esses Estados utilizaram imagens e símbolos que representavam a coesão simbólica e territorial desejada para a nação. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO (Amor e posse)


Sentimento de posse não deve fazer parte do amor, que é a capacidade de suportar a distância, para nutrir a saudade e dar liberdade.

Era uma vez uma menina que tinha como o seu melhor amigo um pássaro encantado. Ele lhe contava histórias de outros mundos. É assim que nos encantamos com a vida e com todos aqueles que nos propiciam tal estado. O encanto é a necessidade da alma e o desencanto é o sofrimento. Um dia, para garantir o encanto, a menina prendeu o pássaro em uma gaiola especial. A partir daí, veio o desencanto e ela aprendeu que amar é a capacidade de suportar a distância, para nutrir a saudade e dar liberdade ao outro de ir e vir.

Quando o cimento da posse e do desejo de controlar tenta unir as partes que se amam, em lugar do bem-estar ficam a tristeza e o sentimento de morte. Precisamos da saudade. Essa, sim, preenche a nossa sensação de incompletude, tão necessária para fortalecer o encanto que existe no amor. A saudade desaparece quando prendemos o outro com nossas inseguranças e medos, de amar e ser amado, deixando-o cinzento e triste. Com o temor de sentirmos a angústia da incompletude, construímos prisões feitas com o nosso egoísmo e as frustrações das nossas expectativas não atendidas. Desejamos eternizar os bons momentos de estarmos juntos esquecidos de que só poderemos percebê-los quando também experimentamos o distanciamento.

Vivemos a liberdade e o amor como uma antinomia. Na mitologia grega, o deus do amor tem asas. Mas também esse mesmo deus carrega flechas que ferem. E se não queremos nenhuma dor, nem a da suade, aí cometemos o erro de usar o amor sem o seu outro lado - a liberdade. Quando a menina comprou a gaiola, ela esperou que ele se acostumasse preso. Mas o tempo passou e tudo ficou triste. Ninguém se acostuma com a prisão. Nossa alma quer habitar um corpo em que ela sinta a sua liberdade de viver, caso contrário ela mata esse corpo para ter a sua liberdade de voar. Quando chegamos a esse ponto de não mais enxergarmos ao colorido da vida, arrependidos, some-se o encanto da vida e precisamos de psicoterapia.

Jung nos ensinou, na prática, quatro fases: Confissão, Esclarecimento, Educação e a Transformação. Para esse entendimento, ele recorreu também ao comportamento dos alquimistas. Esses seguiam um caminho muito parecido com a busca espiritual. Utilizavam as mais diversas substâncias, matéria bruta, para transformá-las em um material refinado e evoluído. Esses materiais poderiam ser, por exemplo, leite de virgem, menstruação de prostituta, urina de criança e assim pó diante. Por analogia, Jung comparou com o processo do homem em análise: chega nesse “estado bruto” e sofre a transformação até se tornar um ser mais elaborado. Os alquimistas utilizaram o latim para nomear as fases por que passava a matéria: Nigredo, Albedo e Rubedo.

Quando chegamos ao consultório, chorando as mágoas do arrependimento ou, simplesmente, com a grande dor da perda do outro, que parecia pertencer às nossas entranhas, fazemos a Confissão. Estamos na Nigredo. A fase que sugere a morte, a sombra e o sofrimento. Aqui não sabemos separar os problemas nossos e os do mundo.

Certa vez o pássaro voltou branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão. Ele cantava as canções e as histórias maravilhosas daquele mundo que a menina nunca vira.  Essa fase é a chamada Albedo, do Esclarecimento e da Educação. Aprendemos sobre as nossas responsabilidades com o que acontece em volta. Há um encantamento e tudo começa a fazer sentido.

De uma outra vez o pássaro voltou vermelho como o fogo. E de novo começavam as histórias. Essa é a fase da Rubedo. É a hora de vier a vida com paixão, fogo e ardor. Aqui acontece a Transformação. Enxergamos mais longe.

Agora sabemos que o ato contra outrem é também contra nós mesmos. Aprendemos a não corromper a ordem – não por medo do pecado ou de ser preso, mas por sentir não ser o correto. É a vida nova, a criança divina. O Natal.

...
Carlos São Paulo
Médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.

A MAIOR DE TODAS AS CAUSAS (Qual o sentido de sua existência?)


... Qual o sentido de sua existência? Na Grécia Antiga garotos eram educados para que, até seus 15 anos, fossem capazes não apenas de responder a essa pergunta, mas também de apresentar uma sustentação oral que defendesse sua resposta diante de uma banca de notáveis do calibre, por exemplo, de Sócrates, Platão ou Aristóteles. Nada mal para um bando de garotos analfabetos!

Sim, pois de acordo com esse sistema educacional, chamado Paideia, habilidades tais como leitura, escrita e até mesmo a nobre matemática era consideradas secundárias; mera teknè, diriam os antigos. O objetivo da Paideia era moldar o caráter. “As letras virão com o tempo”, dizia Sócrates.

Ser capaz de responder qual o sentido da sua existência nunca foi uma tarefa simples. Nem mesmo na Grécia Antiga1 e é por isso que os gregos se dedicavam tanto à capacitação de seus jovens no sentido de torná-los homens-excelência, ou seja, homens de caráter.

Contudo, o próprio conceito de caráter ia além da simples prática das virtudes. Tinha a ver com a realização das potencialidades individuais ou, para ser mais precisa, com o cumprimento do sentido da existência de cada indivíduo. Esse era o conceito arcaico de sucesso, que em muito difere da visão distorcida que hoje perseguimos. Em outras palavras, podemos dizer que todo o sistema educacional da Grécia Antiga buscava o ser, ao passo que, hoje, nossa Educação valoriza o ter.

É por isso que, atualmente, consideramos o sucesso como sendo o resultado de um processo, o que acaba por justificar nosso comportamento insano de sacrificar toda uma vida em prol, por exemplo, da construção de um patrimônio. Alheios ao fato de que o amanhã não nos pertence, seguimos, rumo a um futuro que, pretensamente, nos fará felizes.

O problema é que, enquanto isso, vamos nos distanciando da nossa essência a tal ponto que a própria Paideia chega a nos parecer ficção: “Como um homem poderiam aos 15 anos, saber qual o sentido da sua existência?, perguntamos a nós mesmos, maravilhados e indignados ao mesmo tempo.

Mas o distanciamento da nossa essência nos cobra um preço alto. Tão alto quanto costumava cobrar na Grécia Antiga, é verdade. A diferença é que os antigos sabiam disso, enquanto que nós no acostumamos com uma insatisfação crônica, uma espécie de infelicidade latente, que faz com que muitos cheguem a duvidar da própria existência de felicidades. Isso sem falar numa infinidade de males físicos e sem causas aparentes que acometem boa parte da clientela dos atuais planos de saúde.

Para os gregos, esses males seriam facilmente associados ao distanciamento do indivíduo em relação à sua essência, o que faria com que os sábios de Epidauro, por exemplo, imediatamente recomendassem o recolhimento e a conexão com seu “eu interior” para qualquer “enfermo” que os procurasse. Isso significa que, para os gregos, havia uma verdade interior que acompanhava o indivíduo e exigia dele sua autorealização. Como vemos, o problema sempre esteve na conexão.

Acredito que hoje, embalados por um ritmo de vida alucinante, agravamos nosso problema de conexão com nosso eu interior. Sócrates dizia que o homem desconhecido de si mesmo é um bárbaro. A partir dessa visão, vivemos hoje na barbárie. Quantas pessoas dedicam um esforço consciente para se conhecerem melhor? Quantos de nós são capazes de responder prontamente acerca do sentido de sua existência?

Perguntas como essas deveriam encabeçar nossa lista de prioridades. Ao invés disso, nossa listam provavelmente, está tomada por itens que envolvem o ter. Quando foi que começamos a nos distanciar de nós mesmos? Daquilo que mais importa?

Para compreender a amplitude do que estou dizendo, faça a si mesmo a seguinte pergunta: Com eu seria hoje se tivesse me dedicado ao autoconhecimento metade do que me dediquei ao trabalho e às minhas conquistas profissionais?

Isso me faz lembrar de uma frase de Nietzsche que dizia que “quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como”. Nesse sentido, se engana quem acredita que a pressão da vida moderna nos está adoecendo. A doença da modernidade é a anomia, ou seja, a falta de sentido. Talvez fossemos mais resilientes se soubéssemos qual é a nossa “causa”. Infelizmente, passamos a acreditar que somente os heróis lutam por uma causa. Com isso, nos acostumamos a uma vida sem sentido e nos esquecemos de que podemos ser heróis, ainda que isso nos custe a felicidade e até mesmo a saúde.

...saber o sentido da sua existência é, mais do que um caminho para a felicidade, uma garantia de que sua vida não terá sido em vão.

Lilian Graziano 
Psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

MATERIALISMO versus MISTICISMO


“O materialismo racionalista, atitude mental aparentemente insuspeita, é, na realidade, um movimento psicológico de oposição ao misticismo...” Jung
Se o indivíduo tem seu olhar e sua energia voltada para o materialismo (aquisição de bens, posição social, cargos, enaltecimento do corpo e até mesmo o sexo com e tão somente para a satisfação física) em compensação vai em direção ao místico, à magia. Para ele a palavra de, por exemplo,  uma cartomante, astróloga e até mesmo uma simpatia, irá lhe ditar os acontecimentos que farão parte de sua vida. 
Um indivíduo inconformado por não estar conseguindo determinado objeto, poderá procurar um desses mágicos para ouvir dele quais os acontecimentos que cercarão sua vida num futuro breve e ouvirá com credibilidade o que ele tem a falar. Colocará poder em suas palavras e o tratará como um ser que tem contato com o místico, como se essa pessoa fosse a escolhida por Deus para profetizar acerca da vida de outras pessoas.
Diante dessa consulta tão envolvente, por vezes com certa encenação, o consulente sairá de lá esperançoso e/ou motivado ou ainda, assustado com o que ouviu e então, moldará sua vida nas palavras que o tal místico falou-lhe durante a consulta.
“No momento místico, ao contrário, é verdade, sublinha Jung, que emerge aquilo está escondido da consciência (e aquilo que, em graus diversos, se esconde em toda neurose). Mas, com esses conteúdos psíquicos particulares, a consciência não deve chegar a conclusões (redução) e sim confrontar-se (integração).”
Pensando um pouco sobre esse assunto ocorre-me  que se o místico fosse realmente o escolhido teria ele a pobreza dentro de sua casa? Talvez sim, talvez não. Se sim, ele vive tão enfiado no mundo das suas imagens que não consegue a tal conquista anunciada ao consulente e se não, ele é tão materialista quanto o indivíduo que o foi buscar. Acredito que eles fazem seu papel na sociedade ao atender as pessoas necessitadas de um sentido. Dão um placebo (do latim placere, significando "agradarei" é como se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crençado paciente de que está a ser tratado).
Por acreditar piamente no que foi dito na consulta, o indivíduo vai em direção ao objetivo e muitas vezes consegue atingí-lo. Isso pode acontecer não porque lhe foi previsto, mas porque ele reage ao momento em que está vivendo. Como o indivíduo, neste caso, é um ser orientando pelo outro e não por ele mesmo, certamente pagará um preço e poderá buscar novamente o místico para resolver. Fica num círculo vicioso e não entende a vida sem a “ajuda” de um guia.
Não existe nenhuma razão para querer conhecer mais do inconsciente coletivo do que se consegue por meio de sonhos e intuições. Quanto mais se sabe sobre ele, maior e mais pesada a responsabilidade moral, porque os conteúdos do inconsciente se transformam em tarefas e responsabilidades individuais tão logo começam a se tornar conscientes. (Jung, 1991, p. 389) 
Por outro lado, podemos refletir sobre a importância que tem a materialidade para o Ocidente. Nós do mundo ocidental somos constituídos psiquicamente para atingir objetivos externos. O ter tem certa importância para nós e não há como abrir mão totalmente em prol da orientalidade. Imagine-se deixando o Brasil para morar no Himalaia.
Será que esse ter é uma disponibilidade interna de prosperidade ou o atendimento ao que o outro (o místico, os pais, o amigo, o vizinho, o chefe...) quer que seja feito? 
Elizabeth Sartori
Psicanalista – Analista Junguiana
Beth.psicanalista@yahoo.com.br